6 de março de 2010

Olhos que não vêem coração que não sente II


Lá estava eu, mais decidido que nunca a contar à Carla o traste de namorado que tinha. Marquei um café com ela, apesar de desconfiada, disse-me que também tinha algo para falar comigo. Confesso que andava ansioso e pensativo na melhor forma de lhe contar. Quando cheguei ao local combinado, estranhamente deu-me um grande abraço e agradeceu-me, bem aquilo estava a ficar esquisito, toda a estratégia para lhe contar desmoronou-se quando me disse:

- Obrigada, pelo amigo que és. Sei que estiveste com o Pedro no Bazaar, sábado, e quando o viste com uma gaja o foste afrontar. – bem deviam ver a minha cara quando me disse aquilo, ainda o pior estava para vir. – Algumas mulheres não respeitam ninguém, tudo bem que ele não tem escrito na testa que é comprometido, mas atiram-se como esfomeadas, e depois dá azo a mal entendidos.
- Foi isso que o Pedro te disse? – perguntei, meio desorientado com a resposta dela. – Para te ser franco não foi isso que vi, por isso queria falar contigo. Queria-te contar o que vi e mais algumas coisas.

Comecei a desbobinar tudo que já aqui contei. Sempre com ela a contradizer-me, argumentar que ele era impecável e que estava a dar uma ideia, dele, que não era verdadeira. Nem queria acreditar como ele lhe tinha virado tão bem a cabeça. Bem, passei-me, em vez de estar para ali a contar o que se tinha passado, mudei de estratégia e comecei ataca-la com perguntas de forma a faze-la pensar. Nem isso resultou, aliás como a conversa estava a ficar de tal ordem descontrolada de ambas as partes, e antes que se passasse para um campo de ofensas, levantei-me e foi embora, mas sem antes deixar bem vincado “depois não digas que não avisei”. Nunca pensei que o Pedro lhe conseguisse dar a volta à cabeça de tal forma. Possivelmente, ela só acreditará quando o apanhar em flagrante, mesmo assim da forma com ele é, certamente o perdoará. Ela já é maior e vacinada e eu já dei esmola suficiente para esta missa.

5 comentários:

continuando assim... disse...

convite para seguir a história de Alice, lá no
--- continuando assim... ---

bj
bom fim de semana
teresa

Malena disse...

O amor pode mesmo ser cego! Não te metas nisso porque ainda vais pereder uma amiga. Mais tarde ou mais cedo ela vai perceber. :-)

Gi disse...

Bem, realmente, fizeste a tua parte e só te resta estar tranquilo :) O maior cego é aquele que não quer ver !

Hysteria* disse...

Mas realmente é verdade! Já fizeste a tua parte... Fica com a consciência tranquila. O pior cego é aquele que nao quer ver :/

Beijoca enorme*

Ana disse...

Eu já passei por essa situação 2 vezes: a de alertar alguém para algo que eu sabia e tinha visto, e acabar por ser a má da fita. Mas sabes que mais? Nem quero saber! Quem não quiser acreditar, não acredite. Eu faço a minha parte, assim como gostaria que o fizessem comigo, se fosse o caso. Não sou capaz de estar a ver alguém a ser enganado e fingir que não se passa nada. Fico de consciência tranquila e se tiver de perder um/a amigo/a por causa disso, é porque na realidade nunca o foi.

beijinhos

Gostei muito do que já li por aqui...