12 de março de 2010

Conversa de café...


Amiga (desempregada) – Não sei que fazer à minha vida, está muito difícil estar nesta situação... O pior mesmo é que o dinheiro não chega...
Eu – Como te compreendo. Tens duas opções: reduzes nos gastos supérfluos ou arranjas um trabalhinho para os cobrir.
Amiga (desempregada) – E quem me dá trabalho?!?
Eu – Na tua área e com o que ganhas pelo fundo de desemprego, poucas empresas cobrem esse vencimento, eu sei. Mas podes sempre arranjar um part-time, sem descontos, num par de meses ficas mais folgada de dinheiro.
Amiga (desempregada) – Boa... É por isso que gosto de ti, ainda não tinha pensado nisso dessa maneira. Conheces alguém que me faça esse favor?
Eu – Tenho um amigo que conhece pessoal nos bares, da zona da Foz, agora com este sol precisam sempre de pessoal extra para trabalhar na esplanada, se quiseres falo com ele...
Amiga (desempregada) – É melhor não... Não me vejo a servir cafés...

11 de março de 2010

Frase do dia


"Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver"

by: Martin Luther King

Amigos da onça


Esta semana tenho andado com algumas dúvidas sobre o que nos rodeia. Desta vez é sobre o porquê de algumas pessoas deixarem de ligar aos amigos, mudando mesmo alguns dos seus hábitos de vida, quando iniciam um relacionamento. Juro que já procurei várias justificações mas nenhuma que encaixe na minha forma de ver amizade. Concordo que agora tenham alguém especial para dar atenção, mas esquecerem-se dos amigos, do mundo exterior à relação, é mau, muito mau.

Decidi então pôr-me no lugar dessas pessoas, aí vi a única razão credível para tomar tal atitude, na realidade, não gostam dos amigos e da vida que tinham, antes do relacionamento, e amizade para eles não passou de uma combinação de interesses. Ainda no outro dia ouvi esta frase “As amizades que se fundam a partir do interesse, por interesse terminam”, que aqui completo, e é tão bom quando terminam...

10 de março de 2010

Pergunta do dia


As praxes académicas também podem ser consideradas práticas de bullying?

Eu sei que muitas pessoas vêem esta prática como uma tradição e uma forma de integrar os caloiros na vida académica, com os mais velhos, etc. Mas não me digam que, por exemplo, rebolar no chão em plena Avenida dos Aliados, como vi hoje, são formas de integração e não de humilhação.

Up - Altamente


Vi no blog do Bruno Nogueira este vídeo, dos primeiros quarto minutos e meio do filme ‘Up – Altamente’, e fiquei sensibilizadíssimo. Foi uma agradável surpresa. Só este bocadinho já justifica o Óscar. Não passa de hoje, vou ver se arranjo DVD, nem que o tenha que roubar, e devorá-lo.

 

Dúvida


O jornal I anda a insinuar que não ter namorada, fumar e beber é meio caminho andado para se ser violador em Portugal (ver noticia aqui). Estou, neste momento, a pensar que reúno todos estes requisitos, vocês querem ver... que... eu... posso... ser... um violad... OHH?!?! Esperem lá também é preciso ser benfiquista... Ufa!! Estou aliviado...

Sou só eu ou vocês também acham esta notícia sem sentido?

9 de março de 2010

Bullying


Como agressores ou vítimas grande maioria dos alunos em Portugal já estiveram envolvidos em actos de bullying. O bullying é um comportamento agressivo, intencional e repetido, que acontece na escola para causar dano. O agressor é normalmente uma pessoa com uma baixa resistência à frustração e com dificuldades a nível da socialização. A vítima, por sua vez, tende a ser uma pessoa introvertida, com baixa auto-estima, que não reage nem se queixa. O veículo mais rápido, para algumas crianças e adolescentes, de se afirmarem perante si próprias e perante os demais é através da violência e agressão físicas.

Este é um problema que para ser resolvido serão preciso tomar medidas. Desde de já, as escolas têm de tratar destes casos com tolerância zero, os alunos têm de ser suspensos e responsabilizados pelos seus actos, com pena de andarmos a criar verdadeiros anarquistas. Os professores e os auxiliares de acção educativa, que maior parte das vezes não têm formação para lidar com conflitos, deveriam começar a ser sensibilizados para tais situações. E quando falo que os alunos deveriam ser suspensos não digo manda-los para casa, pois isso queria a maior parte deles, mas sim serem acompanhados por psicólogos, obriga-los a participar em aulas extra, intervalos das aulas reduzido, permanência na escola num certo isolamento das habituais companhias. Mas estes actos não ocorrem só na escola, e aí é que está o grande problema.

Os pais têm de ter o papel mais importante nesta história toda. Pois o bullying é acima de tudo uma falta de respeito pelo próximo, e quem mais para dar esse valor a uma criança senão os pais?! Não se pode passar a vida a culpar a televisão, a internet e os vídeo jogos como os grandes malefícios destes jovens. Os pais devem e têm que ser responsabilizados. E como, muitas vezes, não aceitam regras, ou são arrogantes, imaginando que sabem tudo, concordo que haja multas, pois é a única linguagem que entendem, bem como a sua criminalização pela violência dos filhos. Infelizmente este tipo de violência gratuita está cada vez mais enraizado na sociedade. A minha última palavra é certamente para as vitimas, estas devem ter um acompanhamento especializado bem como um esforço, por parte dos país, de forma a tentar atenuar os efeitos da discriminação. Porque o bullying é uma questão social.

Mimos


Recebi estes dois mimos da Mia, façam o favor de ir visitar o seu cantinho aqui.

Obrigado.


O Prémio DARDOS visa reconhecer o mérito dos blogueiros que se empenham em transmitir valores culturais, éticos e pessoais, através das palavras e da arte demonstrada em seus trabalhos, transformadas num pensamento vivo.”

Regras associadas ao prémio:

1. Aceitar e publicar o prémio, juntamente com o nome e o link de quem me indicou;

2. Oferecer o prémio para 15 blogs.

Blogues:


As regras que o acompanham são:

* Completar a frase: A magia é... o mais perigoso dos encantos.

* Oferecer a 10 blogues: Quem quiser levar esteja à vontade, Mi casa es tu casa.

8 de março de 2010

Ajudem-me



Não consigo parar de comer estas bolachas. Ajudem-me, já tentei agrafar a boca, mas deve doer, por isso desisti mal peguei no agrafador e comi mais uma bolacha. Isto é delicioso, cá vai outra.

Dar tudo...


Tu queres tudo e eu dou-te tudo o que há para dar
Levas tudo o que há de mim
Só comigo é que não queres ficar

by: B Fachada

Dia Internacional da Mulher


Não podia deixar passar este dia internacional em claro. As mulheres são maravilhosas. São as nossas avós, mães, irmãs (que não é o meu caso...), namoradas, amigas, enfim as nossas musas inspiradoras... Merecem todo o amor, carinho, estima, tudo e tudo que nós consigamos oferecer. Poderia estar aqui a enumerar muitos casos de mulheres coragem, mas não vou (nem me apetece). Deixo um miminho a todas as mulheres deste mundo.


Ser Mulher

Ser mulher
É ser esposa e companheira
Amante terna e fagueira
Que o amor sabe entender

Ser mulher
É ser mãe e conselheira
Dedicada de alma inteira
A que devota o seu ser.

Ser mulher
É ser do lar timoneira
Na doença a enfermeira
É dar mais que receber

Ser mulher
É ser fonte d'existência
Que cala a voz da ciência
A força de ser mulher...

Ser mulher não é somente
A figura e a fulgência
É muito mais transcendente
Do que essa mera aparência.

Ser mulher é ter coragem
De pôr fim à injustiça
Dessa humilhante imagem
Que outrora a fez submissa.

Ser mulher é dizer não
Ao abuso e violência
À vil discriminação
E à austera prepotência.

Ser mulher é procurar
O direito à igualdade
E sem tabus comungar
Tudo com justa equidade

Ser mulher é esse alguém
Avó, neta, irmã ou filha
Devotada esposa e mãe
Que o seu amor compartilha.

Ser mulher é sim lutar
Para ser compreendida
E sem medo conquistar
Os seus direitos na vida!...

by: Euclides Cavaco

6 de março de 2010

Olhos que não vêem coração que não sente II


Lá estava eu, mais decidido que nunca a contar à Carla o traste de namorado que tinha. Marquei um café com ela, apesar de desconfiada, disse-me que também tinha algo para falar comigo. Confesso que andava ansioso e pensativo na melhor forma de lhe contar. Quando cheguei ao local combinado, estranhamente deu-me um grande abraço e agradeceu-me, bem aquilo estava a ficar esquisito, toda a estratégia para lhe contar desmoronou-se quando me disse:

- Obrigada, pelo amigo que és. Sei que estiveste com o Pedro no Bazaar, sábado, e quando o viste com uma gaja o foste afrontar. – bem deviam ver a minha cara quando me disse aquilo, ainda o pior estava para vir. – Algumas mulheres não respeitam ninguém, tudo bem que ele não tem escrito na testa que é comprometido, mas atiram-se como esfomeadas, e depois dá azo a mal entendidos.
- Foi isso que o Pedro te disse? – perguntei, meio desorientado com a resposta dela. – Para te ser franco não foi isso que vi, por isso queria falar contigo. Queria-te contar o que vi e mais algumas coisas.

Comecei a desbobinar tudo que já aqui contei. Sempre com ela a contradizer-me, argumentar que ele era impecável e que estava a dar uma ideia, dele, que não era verdadeira. Nem queria acreditar como ele lhe tinha virado tão bem a cabeça. Bem, passei-me, em vez de estar para ali a contar o que se tinha passado, mudei de estratégia e comecei ataca-la com perguntas de forma a faze-la pensar. Nem isso resultou, aliás como a conversa estava a ficar de tal ordem descontrolada de ambas as partes, e antes que se passasse para um campo de ofensas, levantei-me e foi embora, mas sem antes deixar bem vincado “depois não digas que não avisei”. Nunca pensei que o Pedro lhe conseguisse dar a volta à cabeça de tal forma. Possivelmente, ela só acreditará quando o apanhar em flagrante, mesmo assim da forma com ele é, certamente o perdoará. Ela já é maior e vacinada e eu já dei esmola suficiente para esta missa.

5 de março de 2010

Amor ou Paixão


O amor é o sentimento que todos falam mas só alguns tiveram o privilégio de sentir. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa o amor não obedece a uma razão. Não é por ele/ela ter tudo o que nos fascina (corpo, inteligência, etc), que será a pessoa por nós amada. O amor é mais do que isso, é química, empatia e emoção. Não se pode dizer que se ama alguém ao fim de meia dúzia de dias, hoje em dia banalizou-se a expressão ‘amo-te’, qualquer namoro de meia dúzia de noites bem passadas já é motivo para se utilizar a expressão. Amar vai muito além de uma noite bem passada, de um jantar ou passeio romântico com um bom par de curvas ou uns magníficos abdominais. A isso chama-se paixão. Paixão é passageiro o amor não. O amor é cuidar, tornar a pessoa insubstituível, é esquecermo-nos dos seus erros, não ser impulsivo com ela, ser sincero, protector, amigo, perdoá-la e não a decepcionar, é tornar a vida redundante perante tal sentimento. Ama-se o cheiro, os gestos, a paz que essa pessoa nos transmite, até os defeitos parecem algo com que não nos importamos de viver. Quando amamos sabe-se o que a outra pessoa pensa somente pelo olhar, expressão corporal até pela forma como respira.
O problema, da maioria, dos relacionamentos está no facto das pessoas não saberem a diferença entre a paixão e o amor. Muitas pessoas casam por amor, mas na realidade, quando dão por si, estão num ambiente onde se sentem incómodos deparando-se que o amor, que pensavam existir, não passava de paixão. É muito compreensível a confusão destes sentimentos, pois eles andam lado a lado até certa altura.
O verdadeiro amor nunca morre, mesmo que a nossa vontade teime em nos dizer o contrário, ele sobrevive por entre paixões e aventuras.

4 de março de 2010

Quando apanhar a minha cama


Deitar tarde e cedo erguer dá-me uma moca que nem me consigo mexer.

3 de março de 2010

Sondagem: O que achas do Blog?


Para os meus, poucos mas bons, leitores está a decorrer uma pequena sondagem aqui do lado direito, façam o favor de votar, mandem sugestões de melhoria. É que tenho um dinheirinho extra e aproveito para ir comprando a cana de pesca.

Desde já obrigado a todos...

Há dias assim...


Nos dias em que tudo se encontra um pouco escuro. Fecho os olhos, ouço isto e vou viajar sem sair de onde estou. Quando chego tudo tem outra cor.


'Verdes anos' de Carlos Paredes

2 de março de 2010

Multas para os peões


A partir de hoje, os peões que não fizerem a travessia da faixa de rodagem na passadeira, estarão sujeitos a uma multa, algo já previsto na lei mas que só agora será cobrado pelos agentes de autoridade. Medida com a qual concordo plenamente, mas de imediato surgiu-me esta questão: Se o peão fugir? Os polícias vão a correr atrás, talvez sejamos obrigados a andar com matrículas de identificação pessoal e a multa será enviada para nossa residência... Hmmm?!?!?... Está-me a parecer que ainda me vou rir bastante a custa disto.



Logo que passe a monção


Num banco de névoas calmas quero ficar enterrado
Num casebre de bambu na minha esteira deitado
A fumar um narguilé até que passe a monção
Enquanto a chuva derrama a sua triste canção

Sei que tenho de partir logo que suba a maré
Mas até ela subir volto a encher o narguilé
Meu capitão já é hora de partir e levantar ferro
Não me quero ir embora diga que foi ao meu enterro

Deixem-me ficar deitado a ouvir a chuva a cair
Que ainda estou acordado só tenho a alma a dormir
Como a folha de bambu a deslizar na corrente
Apenas presa ao mundo por um fio de água morrente

Nos arrozais morre a chuva noutra água há-de nascer
Abatam-me ao efectivo também eu me vou sem morrer
Para quê ter de partir logo que passe a monção
Se encontrei toda a fortuna no lume deste morrão

Ópio bendito ópio minhas feridas mitiguei
Meu bálsamo para a dor de ser
Em ti me embalsamei
Ópio maldito ópio foi para isto que cheguei
Uma pausa no caminho
Numa névoa me tornei

by: Carlos Tê & Rui Veloso

1 de março de 2010

Aviso:




Depois de assistir a esta reportagem, só desejo que os senhores que conduzem os veículos do estado não tenham o azar de me bater no carro. Caso isso aconteça, e os mesmos tenham a culpa do acidente, que o estado pague tudo devidamente, pois não virei para a televisão queixar-me, como esta senhora. Irei, isso sim, onde se encontram os referidos veículos do estado e partirei um por um. Ameaça? Não, vejam isto como um singelo aviso. Acho muito bem que os veículos do estado não tenham que ter seguro, agora em caso de acidente, e uma vez culpados, paguem os danos.

Olhos que não vêem coração que não sente


Basicamente é mais uma história, como qualquer outra, onde os valores lealdade e honestidade são completamente esquecidos. Tudo começou por altura de Julho do ano passado quando fui esperar o Pedro ao aeroporto, que chegava de mais um ano de estudos em Itália onde tira Ciências Sociais. Pedro deixou tudo para trás, nesta sua estadia em Itália, incluindo Carla com quem tem um relacionamento de 4 anos, que ficou em Portugal com o coração cheio de saudade. Nós, amigos, tentávamos de tudo para distrai-la mas era tarefa difícil devido as circunstâncias. Na chegada dele ao aeroporto e após a habitual troca de palavras e abraços, perguntei-lhe, em jeito de brincadeira, mas com alguma esperança:

- Não me trazes uma italiana, para mim, na mala?
- Só agora é que pedes? – respondeu-me prontamente bem-disposto, prosseguindo de seguida. – Olha que as italianas são mesmo fantásticas, nem de conto.
- Contar o quê? – perguntei já a pensar no pior.
- Oh pá!! Passei bons momentos por lá! – respondendo-me de forma intimista. – Sabes, confirmei muitas coisas do que se fala sobre as italianas, uma das quais é que são mesmo feras na cama.
- Ah? Nem acredito no que me estás a dizer... – retorqui já irritado. – Onde fica a Carla no meio dessas aventuras todas?
- Respira fundo, estás nervoso, olhos que não vêem coração que não sente. E não ouses falar nisto a ninguém. – respondeu-me mudando de imediato de assunto.

Como devem compreender aquelas palavras não me caíram nada bem, durante bastante tempo, elas moeram-me por dentro numa dúvida, pois a revelação daquela conversa colocaria o relacionamento de Pedro e Carla em risco. A grande razão pela qual nada contei à Carla é simples, sempre que estava com o casal encontrava-os bastante unidos, apaixonados e cúmplices. Mesmo sendo evidente, pelo menos para mim, que a Carla era o sustento daquela relação, via-se nela uma mulher apaixonada, derretida e que idolatrava o Pedro. Sinceramente, não tive coragem de a encarar e lhe contar aquela conversa, também não sabia até que ponto as palavras de Pedro não seriam uma forma de se gabar, muito comum entre nós homens. Certo dia, em conversa com Filipa, antiga amiga muito próxima de Carla, perguntei o que acha da relação deles, ela respondeu-me de forma enigmática e surpreendente:

- Ela ama-o de verdade, mas ele é um cabrãozeco. Sinceramente acho que ele anda a engana-la, já tentei falar com ela sobre isso mas ela virou-se contra mim. A Carla é capaz de pôr não só as mãos como o corpo no fogo por ele.
- Não estás a exagerar? Tens algum fundamento para afirmar uma coisa dessas? – perguntei eu num cinismo pouco habitual em mim, tentando saber mais.
- Por amor de Deus! Ele não passa dum gabarola. A sorte dele é que caiu nas graças das amigas de faculdade dela, e que por muito que fale, não sou ouvida. Já viste bem o comportamento dele? Acorda... – respondeu-me de forma tão rápida que lhe tive de pedir para repetir, ficando a conversa por ali.

Como inocente que sou, achei que Filipa estava de má-fé, continuando na minha de nada contar. Tudo mudou no passado sábado, após entrar no Bazaar Club, onde me deparei com Pedro aos beijos a uma fula qualquer, ao princípio nem quis acreditar que era ele, pensando que o vinho tinto do jantar já fazia efeito, bom por sinal, mas não, era mesmo ele. Fiz de tudo para que me visse, até que ao ver-me tentou deslocalizar-se pensando que ainda não o tinha mirado. Num acto de coragem e incentivado por uma amiga, fui de encontro a ele, quando me viu ficou com uma cara de feriado mal passado, mas com cinismo disse-me:

- Então maior, por aqui?
- Não me venhas com cinismos. – respondi-lhe, e puxando para o lado de forma a amiga dele não ouvir, continuei. – Não tens vergonha? Oh pá! Sê homem uma vez na vida, deixa de ser falso para uma pessoa que te ama demasiado para tu mereceres. É pena não ter sido a Carla a entrar por aquela porta. Nem me dirijas a palavra, acredita que ela vai saber quem encontrei aqui hoje.
- Ouve lá, deixa-te disso, ela é gramada em mim. Já me viste alguma vez a interpretar o papel de vítima? – retorquiu ele num ar gozão e afrontador - Só vais ter problemas com isso, já te disse uma vez e volto a repetir. Olhos que não vêem coração que não sente.

Para não me chatear virem-lhe costas e prossegui com a minha noite. Nunca mais o vi, não sei se foi embora, mas também é coisa que não me interessava na altura. Esta semana, o mais tardar, irei contar tudo à Carla, mesmo que isso me custe uma amiga, mas ficarei com a consciência mais leve e com a sensação de dever cumprido, possivelmente o mais certo é o Pedro se fazer de vítima e continuar impune, mas tanta vez o cântaro vai a fonte que algum dia irá partir. Sei que não fui o melhor amigo para a Carla, só espero que me perdoe não ter contado antes.